20 junho 2017

Histórias do Anoitecer XXXVIII

Olho as paredes nuas,
portas e janelas fechadas,
o horizonte de betão…
Ando perdido nas ruas,
por esquinas há muito dobradas,
não quero perder a razão…
 
Mendigo dos livros carinho,
procuro sentir que estou vivo,
mesmo sem bater o coração…
Ansioso, de volta ao caminho,
da certeza de querer não me privo,
de amar outra vez com paixão…
 
E porque te imagino tão perto,
choro por cada momento
em que não sinto a tua mão…
Serás água que me salva do deserto,
acalmando este tormento,
que é viver em solidão…

11 junho 2017

Histórias de Anoitecer XXXVI


Confesso que tenho saudade do teu abraço. Que poderias ter sido tudo, foste tudo, mas não soubeste preservar. O nosso amor é como muitos, nada de novo, uma realidade que não tem continuação, no meio de tantas vicissitudes e sofrimentos. A minha luta denodada por manter uma ligação perene está condenada ao insucesso. Não vou desistir. Tenho de me refrear e acalmar esta inquietude que me atormenta desde a infância. Por ela tenho cometido muitos erros, com os quais vou aprendendo, malgrado ter situações que se repetem sem cessar. E tudo seria tão simples se eu amasse e fosse amado para sempre. Talvez se eu não procurar, encontre a paz.

15 maio 2017

Solidão



Tudo começa na falta de amor, na ilusão, na manipulação, acabando sempre só.
Continua com a ilusão de um novo amor, entre muitos amores, que se destrói na traição, obtendo-se mais solidão.
Não se quer desistir, segue-se mais amor, que se constrói noutra ilusão, volta-se a estar só.
E o sofrimento continua no meio de tanta ilusão, que questiona o amor, porque este não acontece quando devia e poderia dar certo.
Entretanto passam-se os anos, e não se sabe como conseguir o que sempre se procurou ou rejeitou.
Talvez a noite acabe, e a madrugada seja de um sol sem nuvens.