07 abril 2017

Relembrando...



Hoje, lembrei-me de ti. Sim, de ti, que passavas aqui em 2005. Muitos acompanhei. Entretanto, as redes sociais sobrepuseram-se. Mas não só. Eu sequei. Perdi as palavras que conseguiam manter o blog aceso, diariamente. Ainda quero voltar a escrever. E, quando digo escrever, é coisa que se leia, e não só coisa que se desabafe.
Voltei a visitar blogs antigos, que não comentei. Como também não espero qualquer comentário. São períodos de vida, válidos, que nos dão assunto para a fantasia. O velho "What if?"
Sei que perdi relações gratificantes, amorosas, quiça, felizes. Mas quando se vem aqui como eu vim, sendo como sou, o que aconteceu seria o que deveria acontecer.
Arrependimento? Nunca! Todos os que toquei e me tocaram estão no meu coração, isso é que importa. E não há qualquer hipocrisia nisto. Dar amor através das palavras é muito importante, é como falar ao ouvido, permitindo que ninguém se sinta só. Eu também aqui estive por estar "só". Alimentei a bomba-relógio, que trabalhava há muito, para me libertar para o espaço inseguro. Custou? Sim, muito. Foi por mero desejo? Não, nunca, mas tão só por me sentir só rodeado de família. Importa que acabei por ter a coragem, sem utilizar a técnica mais simples e segura, que seria manter relações paralelas. Não o fazer, implicaria que o principal traído seria eu, por mim próprio. Claro que magoei pessoas que me são muito caras. Mas não foi por vingança, sentimento que desconheço. Magoei porque a minha atitude as acordou para a realidade: eu também era e sou um ser humano com necessidade de atenção e afeto.

23 março 2017

Histórias do Anoitecer XXXV







Há sempre um antes e um depois, quando acontece algo que nos faz colocar em frente da morte. Somos eternos pela alma, ou queremos sê-lo.
Relembro ciclos poderosos de escrita. Quase não versejo, mas a narrativa da ciência parece estar num apogeu. E, mais uma vez, olho à frente, para sentir o que vem, enquanto vou dando passos resolutos para que o encontro aconteça.
Imagino o bater do meu coração descompassado, antecipando o mergulho na inconsciência. Voltar, depois, a definir um rumo, pois sinto que há veredas por percorrer.
São pequenas coisas que importam: uma mão na nossa, um olhar que se interlaça, um chão que nos ampara, uma ternura que sorri…
Importa o sonho? Talvez, na medida que recria metaforicamente o que se teme ou deseja. Sendo todos um só, agimos de forma individual, afirmando uma identidade que queremos defender, pois somos incapazes de compreender o todo.
E somos memórias que se vão desmobilizando. E somos sangue que se vai afastando. E somos histórias que vamos construindo. Um registo infinitesimal de uma realidade que se nos escapa, perdidos num infinito para o qual não encontramos uma saída.
Mesmo assim, a humanidade expressa no amor, inconsistente, bem sei, a vontade de fazer parte de um cosmos, que continua a ser um mistério…





31 janeiro 2017

Histórias do Anoitecer XXXIV



Como um estranho numa terra estranha. Mas aqui, onde nasci. Não será o espaço, mas o tempo. Sim, o tempo, mas não estão os dois interligados, como Einstein demonstrou? Será que o alargar do tempo tornou o espaço estranho ou o contrário?
Tantos os caminhos, e todos me parecem infrutíferos. Vou encontrar essa vereda, em que a sombra faz desenhos mágicos, frondosa de ar limpo e cheiro a terra, por onde nenhuns pés humanos ainda trilharam.
Vejo os rostos do passado, e sinto a comoção da saudade. Faltam-me abraços que partiram, outros que andam perdidos, e o teu, que sofre. O mundo acaba onde começa o meu delírio por aquilo que não existe, e não passa de uma ilusão. Somos, os que somos, uma referência num texto publicado e que ninguém leu. Tudo está massificado. A informação é tanta, que nos sentimos os mais ignorantes de todos. E a mentira, o engano, a fraude, fazem o seu caminho, como sempre fizeram, tornando cada vez mais difícil perceber o que acontece.
Por agora, acho que sei uma coisa: o mais difícil da vida é as pessoas entenderem-se, isto é, perceberem o que se passa, ouvirem e sentirem os outros, apreenderem o que lhes é comunicado, seja informação ou formação. Falta sintonia. Falta amor.