04 março 2019

Sonhei-te...


Sonhei-te num dia de Verão…
E no Outono te abracei
Num beijo desejado de amor.
Entrelaçados na mão
Senti que finalmente encontrei
Na vida o perfume e a cor…
 
No Inverno, do outro lado do mar,
Fizemos fogo no meio do gelo
A praça do tempo no horizonte…
Escolhemos o mesmo caminhar
O anel do infinito no dedo
As margens unidas pela ponte…
 
Um novo ano moldado na lava
Jorrando de vulcões adormecidos
Em vidas pré-determinadas.
Olhei-te e senti que acordava
Despertando todos os sentidos
De oníricas vidas passadas.
 
Fomos terra de outro continente
Sal na água de muitos oceanos
E vento soprado de altas montanhas…
Somos chão de uma sarça ardente
Rio aberto de luz sem enganos
Paixão radicada em nossas entranhas…
 
Destino lindo que eu te auguro
Sorriso lânguido na tua face
Na entrega do sono e do prazer…
Acolhe o meu desejo tão puro
De ser só teu neste nosso enlace
De Primavera ao entardecer…

22 novembro 2018

Nó(s)


Se um dia o azul fosse vermelho,
um grito de sangue no vazio,
uma gota de orvalho no chão,
brilhando… a tua face no espelho,
um olhar transmutado de cio,
um desejo perdido na razão…
 
As mãos em túrgidos seios,
que tremem de excitação,
como a serpente filha de Anúbis.
Usando todos os meios
nos ritos de purificação,
de beijos húmidos nas púbis…
 
Almas unidas no mesmo ar,
num suspiro de luz e água,
na passagem de outro mundo…
Quisera outrora estar
numa adolescência sem mágoa,
amando o teu olhar profundo.
 
Talvez vivamos o mesmo tempo,
que deixamos para trás,
num abraço doce e amoroso…
Desta vontade se faça assent,
e construamos de forma assaz,
o eu/tu num nó(s) firme e poderoso.

06 setembro 2018

Romance

Recordando o meu último livro... um romance.

29 junho 2018

9 meses



Por terra, água e mares,
deixamos a nossa marca,
fogo na alma e coração…
Adivinho os teus pensares,
e no infinito de uma arca,
guardo o futuro na tua mão…

Somos páginas lado a lado
de um capítulo reescrito
do livro da criação…
Fruto proibido e desejado,
num paraíso bendito,
onde se acordou a razão…

Aventuras e sorrisos,
entreolhares felinos
preenchidos de emoção…
E no meio dos improvisos,
somos do amor peregrinos
com empenho e devoção.

11 junho 2018

Caminho a dois

Sigo pelo caminho
que não é só meu
e que partilho sem medo...
Não importa o destino,
mas a fé que Deus me deu
para saber estar neste enredo...
 
Não volto aqui, eu sei.
E ainda tenho que fazer
de alguns sonhos realidade…
Tudo pelo que passei
faz sentido e razão de ser,
porque são faces da verdade…
 
Agora, sentindo em mim
o olhar felino de uma leoa,
num passo lento, consistente…
Quero acreditar que o sim
é um grito que entoa,
uma luz acesa na minha mente!

06 junho 2018

Alegoria do amor


No sangue e no sono…
Gotejam ideias que se misturam
em sonhos de medo e amor.
De corpo e alma unidos,
criamos sossegos dinâmicos,
experiências de vida renovada…

Em casas e camas…
De viagens quentes de neve.
Sorrisos, gritos e abraços,
num carrocel de desejos,
rodopiando na pele
e em espasmos de prazer…

Nos olhos sem tempo…
Que nos mostram outras eras,
de Anúbis e Bastet,
de Afrodite e Eros
de Vénus e Febo,
vir et mulier amare…

21 março 2018

Seis meses, anos, a vida...

Nas pregas de um vestido de roda,
um relógio marcando os dias,
e apontando em todas as direções…
Onde os mimos são a moda,
onde abraços, que já não sentias,
apertam os compassos dos corações.
 
Vieste de longe fazer o teu ninho
no meu regaço carente de sol,
cheirando a frutos vermelhos…
A sorte grande no caminho,
ponteada de sonhos e prole,
num jogo labiríntico de espelhos…
 
O teu sorriso é luz que m’aquece.
Força, chão, ar fresco de mar e serra,
fundamentando esta certeza…
Sei que foi ouvida a minha prece,
para que esta vida nesta Terra
pudesse ainda ser uma chama acesa

12 janeiro 2018

Aniversário

Mais um aniversário deste blog.


O meu canto de cantos de encantar... o poço onde deixo os meus desejos, alegrias, tristezas... a fonte mágica que reforça a esperança...

07 outubro 2017

Há poemas...

Há poemas que se dizem com os olhos
Tão perto do respirar que os lábios tremem
Sentindo que a pele se empolga
Num desatino que se prolonga no pescoço
Deixando o colo entreaberto ao toque
Em beijos aleatoriamente planeados
Perseguindo o arrepio que nos escorre pelo corpo
Provando a doçura de um cheiro único
O aroma de um sabor que é só teu
E a loucura do coração num carrossel.
 
Há poemas que são carícias na face
Afagos que se desejam e poucos dão
Palavras que forjam raízes de vida
Sons que nos levantam do chão
Músicas cantadas em suave melodia
Numa surdina pingada em terra seca
Um grito abafado de uma boca carente
Um lírio chorado de um rosto perfeito
Num campo alagado de amor nascente
Qual água cintilante, reflexo da nossa luz.
 
Ai, como tudo poderia ser diferente
Se a vontade não fosse madrinha
E os teus olhos de Karnak ou Luxor
Não se abeirassem perscrutando os meus
Num abraço cheio de flores e de mundo
Pincelado de interrogações e receios
Que se derretem pelo fogo das mãos
Pela verdade marcada a ferro no peito
Num assombro secular e divino sim!
Há poemas que são o espelho de nós!

23 setembro 2017

Transição

Abri os braços e acolhi
toda a mudança em mim,
um olhar que é diferente…
Talvez por isso eu te vi,
sentindo algo novo assim,
no coração depois da mente...
 
Vejo carência e medo,
angústia e desilusão,
vontades petrificadas.
Desiste-se, e ainda é cedo,
de encontrar uma mão,
as almas quedam geladas.
 
E quando as bocas se unem,
deixando morrer a agrura
num ímpeto de criação...
Sentir como os corpos se fundem
numa sinfonia sem partitura,
no culminar de uma união…