06 setembro 2018

Romance

Recordando o meu último livro... um romance.

29 junho 2018

9 meses



Por terra, água e mares,
deixamos a nossa marca,
fogo na alma e coração…
Adivinho os teus pensares,
e no infinito de uma arca,
guardo o futuro na tua mão…

Somos páginas lado a lado
de um capítulo reescrito
do livro da criação…
Fruto proibido e desejado,
num paraíso bendito,
onde se acordou a razão…

Aventuras e sorrisos,
entreolhares felinos
preenchidos de emoção…
E no meio dos improvisos,
somos do amor peregrinos
com empenho e devoção.

11 junho 2018

Caminho a dois

Sigo pelo caminho
que não é só meu
e que partilho sem medo...
Não importa o destino,
mas a fé que Deus me deu
para saber estar neste enredo...
 
Não volto aqui, eu sei.
E ainda tenho que fazer
de alguns sonhos realidade…
Tudo pelo que passei
faz sentido e razão de ser,
porque são faces da verdade…
 
Agora, sentindo em mim
o olhar felino de uma leoa,
num passo lento, consistente…
Quero acreditar que o sim
é um grito que entoa,
uma luz acesa na minha mente!

06 junho 2018

Alegoria do amor


No sangue e no sono…
Gotejam ideias que se misturam
em sonhos de medo e amor.
De corpo e alma unidos,
criamos sossegos dinâmicos,
experiências de vida renovada…

Em casas e camas…
De viagens quentes de neve.
Sorrisos, gritos e abraços,
num carrocel de desejos,
rodopiando na pele
e em espasmos de prazer…

Nos olhos sem tempo…
Que nos mostram outras eras,
de Anúbis e Bastet,
de Afrodite e Eros
de Vénus e Febo,
vir et mulier amare…

21 março 2018

Seis meses, anos, a vida...

Nas pregas de um vestido de roda,
um relógio marcando os dias,
e apontando em todas as direções…
Onde os mimos são a moda,
onde abraços, que já não sentias,
apertam os compassos dos corações.
 
Vieste de longe fazer o teu ninho
no meu regaço carente de sol,
cheirando a frutos vermelhos…
A sorte grande no caminho,
ponteada de sonhos e prole,
num jogo labiríntico de espelhos…
 
O teu sorriso é luz que m’aquece.
Força, chão, ar fresco de mar e serra,
fundamentando esta certeza…
Sei que foi ouvida a minha prece,
para que esta vida nesta Terra
pudesse ainda ser uma chama acesa

12 janeiro 2018

Aniversário

Mais um aniversário deste blog.


O meu canto de cantos de encantar... o poço onde deixo os meus desejos, alegrias, tristezas... a fonte mágica que reforça a esperança...

07 outubro 2017

Há poemas...

Há poemas que se dizem com os olhos
Tão perto do respirar que os lábios tremem
Sentindo que a pele se empolga
Num desatino que se prolonga no pescoço
Deixando o colo entreaberto ao toque
Em beijos aleatoriamente planeados
Perseguindo o arrepio que nos escorre pelo corpo
Provando a doçura de um cheiro único
O aroma de um sabor que é só teu
E a loucura do coração num carrossel.
 
Há poemas que são carícias na face
Afagos que se desejam e poucos dão
Palavras que forjam raízes de vida
Sons que nos levantam do chão
Músicas cantadas em suave melodia
Numa surdina pingada em terra seca
Um grito abafado de uma boca carente
Um lírio chorado de um rosto perfeito
Num campo alagado de amor nascente
Qual água cintilante, reflexo da nossa luz.
 
Ai, como tudo poderia ser diferente
Se a vontade não fosse madrinha
E os teus olhos de Karnak ou Luxor
Não se abeirassem perscrutando os meus
Num abraço cheio de flores e de mundo
Pincelado de interrogações e receios
Que se derretem pelo fogo das mãos
Pela verdade marcada a ferro no peito
Num assombro secular e divino sim!
Há poemas que são o espelho de nós!

23 setembro 2017

Transição

Abri os braços e acolhi
toda a mudança em mim,
um olhar que é diferente…
Talvez por isso eu te vi,
sentindo algo novo assim,
no coração depois da mente...
 
Vejo carência e medo,
angústia e desilusão,
vontades petrificadas.
Desiste-se, e ainda é cedo,
de encontrar uma mão,
as almas quedam geladas.
 
E quando as bocas se unem,
deixando morrer a agrura
num ímpeto de criação...
Sentir como os corpos se fundem
numa sinfonia sem partitura,
no culminar de uma união…

18 setembro 2017

Histórias do Anoitecer LV



Sim, eu sei que o sofrimento só existe se acreditarmos nele.
Sei que devo, que não devo… eu sei lá, é tanta obrigação… e eu faço, e às vezes não faço, e preciso de descansar, mas canso-me…
Saber, querer saber, a doença que alastra desde o Renascimento, para o bem, para o mal, e todos dependendo de alguns… e alguns sem vontade de ficar… e alguns com vontade de voltar… eu não.
E vou ler, mas não li o suficiente, e devia ter lido (dizem uns), e não podias ter lido (dizem outros), pois compreendem que não podemos ler tudo, estudar tudo, mas temos de o fazer…
E vou escrever… mas já escrevo muito… não, nada fazes, não presta, não é suficiente, tens de escrever, não quero escrever, mas escrevo…
Gostarias de ir, de ficar? Não sei. Que te apetece? Então, faz…





26 agosto 2017

Histórias do Anoitecer LIV

Será que tenho de deixar de acreditar?
Vejo em tantos olhos a amargura da desilusão. A desesperança leva à acomodação. Adaptamo-nos a sobreviver sem propósito, imaginando que o respirar é tudo. Por mais que cultive a verdade, continuo a colher frutos degenerados pela mentira e pelo engano. Há locais e pensamentos que me recordam as mágoas que transporto. O passado é sempre passado, pouco importa, mas as pessoas ficam.
Será que tenho de deixar de acreditar?
Sou náufrago do imaginado e inafundável navio da minha vida. Concretizo todos os sonhos de formas diferentes das planeadas. Mas continuo à deriva, agarrado aos destroços do coração, suspirando pela sintonização de um momento que ainda não ocorreu. Temo pelo tempo. E ainda penso que será nesta passagem que ocorrerá o comungar de olhares que já vislumbrei, mas que não retribuí. Não quero crer que seja uma ilusão. Quero que a fé, a esperança e o amor continuem a fazer parte do meu ser.
Será que tenho de deixar de acreditar?