11 setembro 2014

Histórias do anoitecer II


Um homem e uma mulher, ainda de mão dada... que coisa tão rara!
De manhã era um frenesim de mãos que se tocavam deslumbradas. Uma descoberta excitante, que mexia com todos os poros sensíveis, que exalavam o aroma da sexualidade premente. Tudo era eterno, e as bocas sorviam o desejo da carne. O coração ribombava, alegre e descontrolado, numa esfusiante festa dos corpos em simbiose. Pelo meio do dia, o calor do trabalho e da família já não os deixava respirar o amor. Perdiam-se, num cansaço obstinado, que os atordoara de tudo aquilo que era realmente importante. Felizmente, acordaram um dia na mesma cama e no mesmo momento. Olharam-se e viram-se como se fora manhã, mas já caía o dia. Sentiram o mesmo impulso em direção ao sol, pela areia da praia entre os dedos dos pés, entrelaçaram as mãos, e voltaram a sorrir, sabendo que nada terminara, e que a vida ressuscitara da letargia dos sentidos.
Coisa rara, ainda de mão dada, um homem e uma mulher...

2 comentários:

Anónimo disse...

Felizmente ainda de mão dada...

© Piedade Araújo Sol disse...

e ainda bem.

há momentos assim.

há dias assim!

:)