Vestido com um corpete de linho,
sandálias de pele tão usadas,
na tez a marca dos tempos.
O cabelo sempre em desalinho,
olhos espelhando vidas passadas,
razões pejadas de sentimentos.
Juntar o brilho de Roma ao Amor,
fazer da luz o caminho da Fé,
ser pó de estrelas, eternidade.
Todos somos fonte de calor,
trilho no chão de cada pé,
sonho utópico de felicidade.
24 Maio 2009
08 Maio 2009
A primeira mão
Cumpre-se a mão primeira.Houve um primeiro dedo
ao longo de cinco tectos…
Curiosidade, brincadeira,
inteligência, alegria e medo,
tudo rodeado de afectos.
Verdades púberes do anelar,
a fuga ao espírito, revolta,
aprender e abraçar a liberdade.
A mudança em parada militar,
os amores galopando à solta,
os sonhos rompendo a eternidade…
Trabalho, família, luta e dores.
Casa, cargos, até ao estudo,
a magia do tempo médio…
A palete ainda cheia de cores,
o quadro de cinema mudo
numa galeria cheia de tédio.
E a transformação começou
no corpo, na alma, no destino…
Fui pai, amante e professor.
Da vontade fiz aquilo que sou:
ser errante, amor procrastino,
a tempestade como indicador…
Termina a era do polegar,
das profundas fracturas,
da morte e do nascimento.
Nunca pensei aqui chegar,
coroado de tantas venturas,
tenho a fé em cada momento.
Segunda mão iniciada.
Desejos, sonhos por cumprir,
terei tempo para acabar?
Imagino o mapa sem estrada,
desfrutando um novo sentir,
até da história me libertar.
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