19 março 2015

Histórias do Anoitecer XIV



As muitas tentativas para chegar até ti goraram-se nessa tua atitude descrente da vida. As noites sucedem-se e os corpos juntam-se. A parede da confiança vai-se construindo, malgrado os atentados delirantes de que é vítima. O vestido bordeaux jaz no imaginário. A viagem de sonho não tem calendário. E vi uma criança correr...
A sociedade diminui em competências na inversa medida das tecnologias. As oportunidades esfumam-se, mas acontecem sempre para alguns, ligados ao poder. A ignorância é rainha e o mau-gosto da linguagem virou som ambiente. O medo apodera-se de todas as brechas no amor. Os sonhos oníricos quase assustam pela realidade das fugas e contradições. Esperamos uma via nova, aberta à nossa consagração, mas acabamos junto ao muro que temos de ultrapassar. Recomeçar é, muitas vezes, o continuar até conseguir. E, aqui, sabemos que afinal há outro muro mais à frente. Não desanimamos. Sorrimos e pensamos: é mesmo assim, nunca acabam, até porque tudo é redondo, e sempre voltamos ao início, mais acima, mas na mesma longitude…
Por razões diferentes, sem pais e sem filhos. Olho as ruínas. Sinto a imensidão do que não sei, na esperança de encontrar um vetor que me leve algures no futuro. Sei que posso esperar mais um pouco, e equilibro-me na secção da página, enquanto esta, lentamente, se vai virando, mostrando o que pode ser conhecido a seguir…

1 comentário:

Ela disse...

Muito belo! Perfeito!