24 julho 2023
20 dezembro 2020
15 anos depois....
Já não há dor nem sofrimento, só saudade.
Como é possível desprezar quem procurou dar sempre amor?
Como é possível o egoísmo suplantar o sangue?
Quem festeja o Natal esquecendo o amor de pai e de avô?
Quem pode ser feliz quando se alimenta o ódio?
Independentemente da razão, honrar pai e mãe, deveria ser sempre a vontade.
Feliz Natal para todos!
Desejo-vos toda a felicidade do mundo.
28 março 2020
Da profecia...
O pensamento nos que partiram,
nos que chegam, nos que aqui estão,
temerosos de voltar para de onde vieram.
De todas as ameaças que sentiram,
esta é aquela que nos foge da mão,
e nos deixa sós como os profetas disseram.
Somos guerras dos mundos, corpos vulneráveis,
protagonistas de fim dos dias, assegurados
por presságios oníricos de oráculos antigos,
vivendo tempos no futuro imemoráveis...
Como sempre, para todas as mudanças convidados
de uma festa em que devemos ser mais amigos.
Criamos serpentes de novos pecados originais,
queimando a terra, a água e as florestas,
tingindo de sombras as montanhas e vales de luz...
Esquecemos o quanto a natureza pode mais,
que todos os lados se quebram nas arestas
da arrogância secular, do opróbrio de quem seduz...
O povo escolhido, revoltado e mesquinho,
julgando que o seu ego é o umbigo do mundo,
procura, incessantemente, a sua salvação.
Mas é na entrega ao outro o caminho,
que nos pode levar ao segredo profundo
de quem somos aquando da revelação...
07 maio 2019
04 março 2019
Sonhei-te...
Sonhei-te num dia de Verão…
E no Outono te abracei
Num beijo desejado de amor.
Entrelaçados na mão
Senti que finalmente encontrei
Na vida o perfume e a cor…
No Inverno, do outro lado do mar,
Fizemos fogo no meio do gelo
A praça do tempo no horizonte…
Escolhemos o mesmo caminhar
O anel do infinito no dedo
As margens unidas pela ponte…
Um novo ano moldado na lava
Jorrando de vulcões adormecidos
Em vidas pré-determinadas.
Olhei-te e senti que acordava
Despertando todos os sentidos
De oníricas vidas passadas.
Fomos terra de outro continente
Sal na água de muitos oceanos
E vento soprado de altas montanhas…
Somos chão de uma sarça ardente
Rio aberto de luz sem enganos
Paixão radicada em nossas entranhas…
Destino lindo que eu te auguro
Sorriso lânguido na tua face
Na entrega do sono e do prazer…
Acolhe o meu desejo tão puro
De ser só teu neste nosso enlace
De Primavera ao entardecer…
22 novembro 2018
Nó(s)
Se um dia o azul fosse vermelho,
um grito de sangue no vazio,
uma gota de orvalho no chão,
brilhando… a tua face no espelho,
um olhar transmutado de cio,
um desejo perdido na razão…
As mãos em túrgidos seios,
que tremem de excitação,
como a serpente filha de Anúbis.
Usando todos os meios
nos ritos de purificação,
de beijos húmidos nas púbis…
Almas unidas no mesmo ar,
num suspiro de luz e água,
na passagem de outro mundo…
Quisera outrora estar
numa adolescência sem mágoa,
amando o teu olhar profundo.
Talvez vivamos o mesmo tempo,
que deixamos para trás,
num abraço doce e amoroso…
Desta vontade se faça assent,
e construamos de forma assaz,
o eu/tu num nó(s) firme e poderoso.
06 setembro 2018
29 junho 2018
9 meses
Por terra, água e mares,
deixamos a nossa marca,
fogo na alma e coração…
Adivinho os teus pensares,
e no infinito de uma arca,
guardo o futuro na tua mão…
deixamos a nossa marca,
fogo na alma e coração…
Adivinho os teus pensares,
e no infinito de uma arca,
guardo o futuro na tua mão…
Somos páginas lado a lado
de um capítulo reescrito
de um capítulo reescrito
do livro da criação…
Fruto proibido e desejado,
num paraíso bendito,
onde se acordou a razão…
Aventuras e sorrisos,
entreolhares felinos
preenchidos de emoção…
E no meio dos improvisos,
somos do amor peregrinos
com empenho e devoção.
11 junho 2018
Caminho a dois
Sigo pelo caminho
que não é só meu
e que partilho sem medo...
Não importa o destino,
mas a fé que Deus me deu
para saber estar neste enredo...
Não volto aqui, eu sei.
E ainda tenho que fazer
de alguns sonhos realidade…
Tudo pelo que passei
faz sentido e razão de ser,
porque são faces da verdade…
Agora, sentindo em mim
o olhar felino de uma leoa,
num passo lento, consistente…
Quero acreditar que o sim
é um grito que entoa,
uma luz acesa na minha mente!06 junho 2018
Alegoria do amor
No sangue e no sono…
Gotejam ideias que se misturam
em sonhos de medo e amor.
De corpo e alma unidos,
criamos sossegos dinâmicos,
experiências de vida renovada…
Gotejam ideias que se misturam
em sonhos de medo e amor.
De corpo e alma unidos,
criamos sossegos dinâmicos,
experiências de vida renovada…
Em casas e camas…
De viagens quentes de neve.
Sorrisos, gritos e abraços,
num carrocel de desejos,
rodopiando na pele
e em espasmos de prazer…
De viagens quentes de neve.
Sorrisos, gritos e abraços,
num carrocel de desejos,
rodopiando na pele
e em espasmos de prazer…
Nos olhos sem tempo…
Que nos mostram outras eras,
de Anúbis e Bastet,
de Afrodite e Eros
de Vénus e Febo,
vir et mulier amare…
21 março 2018
Seis meses, anos, a vida...
Nas pregas de um vestido de roda,
um relógio marcando os dias,
e apontando em todas as direções…
Onde os mimos são a moda,
onde abraços, que já não sentias,
apertam os compassos dos corações.
Vieste de longe fazer o teu ninho
no meu regaço carente de sol,
cheirando a frutos vermelhos…
A sorte grande no caminho,
ponteada de sonhos e prole,
num jogo labiríntico de espelhos…
O teu sorriso é luz que m’aquece.
Força, chão, ar fresco de mar e serra,
fundamentando esta certeza…
Sei que foi ouvida a minha prece,
para que esta vida nesta Terra
pudesse ainda ser uma chama acesa…12 janeiro 2018
Aniversário
Mais um aniversário deste blog.
O meu canto de cantos de encantar... o poço onde deixo os meus desejos, alegrias, tristezas... a fonte mágica que reforça a esperança...
O meu canto de cantos de encantar... o poço onde deixo os meus desejos, alegrias, tristezas... a fonte mágica que reforça a esperança...
07 outubro 2017
Há poemas...
Há poemas que se dizem com os
olhos
Tão perto do respirar que os lábios tremem
Sentindo que a pele se empolga
Num desatino que se
prolonga no pescoço
Deixando o colo
entreaberto ao toque
Em beijos aleatoriamente
planeados
Perseguindo o arrepio que
nos escorre pelo corpo
Provando a doçura de um cheiro único
O aroma de um sabor que é só teu
E a loucura do coração num carrossel.
Há poemas que são carícias na face
Afagos que se desejam e
poucos dão
Palavras que forjam raízes de vida
Sons que nos levantam do
chão
Músicas cantadas em suave melodia
Numa surdina pingada em
terra seca
Um grito abafado de uma
boca carente
Um lírio chorado de um rosto perfeito
Num campo alagado de amor
nascente
Qual água cintilante, reflexo da nossa
luz.
Ai, como tudo poderia ser
diferente
Se a vontade não fosse madrinha
E os teus olhos de Karnak
ou Luxor
Não se abeirassem perscrutando os
meus
Num abraço cheio de flores e de mundo
Pincelado de interrogações e receios
Que se derretem pelo fogo
das mãos
Pela verdade marcada a
ferro no peito
Num assombro secular e
divino… sim!
Há poemas que são o espelho de nós!
23 setembro 2017
Transição
Abri os braços e acolhi
toda a mudança em mim,
um olhar que é diferente…
Talvez por isso eu te vi,
sentindo algo novo assim,
no coração depois da mente...
Vejo carência e medo,
angústia e desilusão,
vontades petrificadas.
Desiste-se, e ainda é cedo,
de encontrar uma mão,
as almas quedam geladas.
E quando as bocas se unem,
deixando morrer a agrura
num ímpeto de criação...
Sentir como os corpos se fundem
numa sinfonia sem partitura,
no culminar de uma união…
18 setembro 2017
Histórias do Anoitecer LV
Sim, eu sei que o sofrimento só existe se acreditarmos nele.
Sei que devo, que não devo… eu sei lá, é tanta obrigação… e eu faço, e às vezes não faço, e preciso de descansar, mas canso-me…
Saber, querer saber, a doença que alastra desde o Renascimento, para o bem, para o mal, e todos dependendo de alguns… e alguns sem vontade de ficar… e alguns com vontade de voltar… eu não.
E vou ler, mas não li o suficiente, e devia ter lido (dizem uns), e não podias ter lido (dizem outros), pois compreendem que não podemos ler tudo, estudar tudo, mas temos de o fazer…
E vou escrever… mas já escrevo muito… não, nada fazes, não presta, não é suficiente, tens de escrever, não quero escrever, mas escrevo…
Gostarias de ir, de ficar? Não sei. Que te apetece? Então, faz…
Sei que devo, que não devo… eu sei lá, é tanta obrigação… e eu faço, e às vezes não faço, e preciso de descansar, mas canso-me…
Saber, querer saber, a doença que alastra desde o Renascimento, para o bem, para o mal, e todos dependendo de alguns… e alguns sem vontade de ficar… e alguns com vontade de voltar… eu não.
E vou ler, mas não li o suficiente, e devia ter lido (dizem uns), e não podias ter lido (dizem outros), pois compreendem que não podemos ler tudo, estudar tudo, mas temos de o fazer…
E vou escrever… mas já escrevo muito… não, nada fazes, não presta, não é suficiente, tens de escrever, não quero escrever, mas escrevo…
Gostarias de ir, de ficar? Não sei. Que te apetece? Então, faz…
26 agosto 2017
Histórias do Anoitecer LIV
Será que tenho de deixar de acreditar?
Vejo em tantos olhos a amargura da desilusão. A desesperança
leva à acomodação. Adaptamo-nos a sobreviver sem propósito, imaginando que o
respirar é tudo. Por mais que cultive a verdade, continuo a colher frutos
degenerados pela mentira e pelo engano. Há locais e pensamentos que me recordam
as mágoas que transporto. O passado é sempre passado, pouco importa, mas as
pessoas ficam.
Será que tenho de deixar de acreditar?
Sou náufrago do imaginado e inafundável navio da minha vida.
Concretizo todos os sonhos de formas diferentes das planeadas. Mas continuo à
deriva, agarrado aos destroços do coração, suspirando pela sintonização de um
momento que ainda não ocorreu. Temo pelo tempo. E ainda penso que será nesta
passagem que ocorrerá o comungar de olhares que já vislumbrei, mas que não
retribuí. Não quero crer que seja uma ilusão. Quero que a fé, a esperança e o
amor continuem a fazer parte do meu ser.
Será que tenho de deixar de acreditar?
19 agosto 2017
Histórias do Anoitecer LIII
Sinto o corpo esquartejado pelo amor. Dividido, sofrido,
incompreendido, desejado, mal-amado e, acima de tudo, fora do tempo, sempre.
Já fui flagelado, coroado de espinhos e crucificado. Não
como o corpo de Cristo, obviamente, mas na alma. Um verdadeiro cana-verde.
Nunca recebi quanto dei. Provavelmente, houve muitas vezes
que não dei. Mas não tinha de dar. Não posso ser culpado de não amar. Mas sou
culpado de amar, e por isso sofro.
Possam as lágrimas que verti construírem um novo rio. Uma nascente
pura, sem toda a mácula que a vida nos vai pincelando. Não preciso de desejar
ser inocente, porque o fui. Não preciso de desejar ser culpado, porque o fui.
Preciso é de redenção, não porque tenha feito mal a alguém, dolosamente, mas
porque sou culpado e vítima do amor.
Já morri várias vezes. Quero renascer num mundo novo…
02 agosto 2017
Que importa?
no horizonte beijando o mar?
Que importa a lua daquela noite
que nos fez apaixonar?
Que importa o sonho do deserto
e esta vontade de amar?
Que importa a suavidade da brisa
e o beijo que nos faz arrepiar?
Que importa tudo o que eu digo
se não estás aqui comigo?
31 julho 2017
Histórias do Anoitecer LI
A marca indelével do teu olhar, despindo-me a alma,
brincando com os meus botões, deixando-me o peito em alvoroço. Tinha sonhado
contigo sem saber quem eras.
E agora sinto-me prisioneiro do meu próprio cárcere, e não
quero fugir.
Fui nómada no deserto, capitão do mato no Brasil, centurião
romano em Pula, monge escriba, romântico das letras no século XIX, e sempre te
vi partir, ora porque te abri o caminho da fuga, ora porque casavas com outro,
ora porque te levavam para outras paragens.
Como se estivesse no meio do mar sem bússola ou sextante.
Fechar os olhos e imaginar o caminho até ti. Abrir a mão para sentir a
distância. Consigo percorrê-la com o pensamento, chegando na tua mente como se
fora uma carícia, um beijo suave, um roçar terno de pele.
E todas estas manifestações me atordoam a solidão, me iludem
a realidade, e me mantêm vivo de esperança. As lágrimas brilham-me o olhar que,
languidamente, perscruta o horizonte, esperando vislumbrar a tua silhueta que,
finalmente, venha até mim.
28 julho 2017
Histórias do Anoitecer L
Ai, vida, que me pregas partidas umas atrás das outras!
Então agora é assim?! Já não bastavam as ilusões e as rejeições? Nunca te
apiedas deste pobre coração.
Ainda tenho comigo o cheiro da tua mão. Imaginas a tortura?
Ter as cartas e não poder cartear? Saber que o jogo pode arruinar os jogadores,
fora e dentro da mesa…
Mas se a vida, sim tu!, não me surpreendesse, então como me
acharia? Carente dessa surpresa, e de todo o amor que ela encerra, e que não
foi capaz de dar.
Vou sonhar. Vou querer. Vou calar. Vou falar. Vou fazer tudo
aquilo que a minha razão deixar. Um braço de ferro de perder e ganhar. A
lagarta saiu do seu casulo e só tu sabes como a apanhar. Chora, ri, para de
esbracejar. Não sabes quanta água há para nadar. Não sabes se o deserto vai
acabar. Mas sabes que o tempo começou, e não vai jamais parar.
Calmamente, tenho de regressar, sabendo que deixei
mais um pouco de mim.
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